domingo, 30 de novembro de 2008

Odisseia a Belém for Dummies… em 15 passos

Há coisas fora do prazo que ainda se comem muito bem - ou, belo trabalho do João Santos:
Inicio da viagem com música da Odisseia no Espaço (http://www.youtube.com/watch?v=3yM9tW-jjEA)

Com o som em background entra o voz off - Bem-vindo à aventura da tua vida! - no final da frase, um dos picos da música e depois a voz off novamente – Estimado, I think this is the beginning of a beautiful friendship!
(Mais música)
Voz-off - Escolheu a Odisseia a Belém for dummies em 15 passos. Vamos lá Cambada, todos à Molhada!
Voz-off - Passo um, sê uma Estrela e para isso nada melhor que a rua dos douradores de onde estás a arrancar e onde há 200 anos se vendiam arreios dourados para os cavalos e se abrilhantavam os metais. Cuidado não com os cavalos mas com os eléctricos e automóveis!
Voz-off – Passo dois, sente-te o rei neste enorme terreiro do paço onde agora estás (pausa) mas muita, muita atenção, não morras, pois há 100 anos foi aqui morto o penúltimo rei de Portugal e seu filho descendente ao trono para que se instaurasse a República.

Voz-off – Passo três, Cais do Sodré, é a única praça de Lisboa onde se pode tomar qualquer meio de transporte. Com excepção do avião, claro. Daqui já não partem caravelas para a Índia, como há cinco séculos, mas partem cacilheiros para a outra banda (texto que a Go-Car dizia e que saquei da net – gostei bastante e não lhe mexia um ponto)

Voz-off – Passo quatro, encosta à direita e toca a parar! Chegámos à praça da ribeira, sabias que foi construída no tempo de D. Afonso III e era um dos dois mercados centrais de hortaliças juntamente com a Praça da Figueira? Olha bem e encontra uma lojinha que ai está. Para quem tem frio, nada melhor que um cacau quente.

Voz-off – (dando à chave) Toca a arrancar! Já estamos no quinto passo, à tua direita encontra-se a 24 de Julho - zona histórica de discotecas onde a noite é uma criança. Passa por cá mais tarde, mas no meu irmão mais velho de quatro rodas, o táxi, que conduzir ébrio não é comigo!
Voz-off – vira à direita, e tens de frente o Hospital Egas Moniz o teu sexto passo, muito bem. Este hospital tem o nome do único médico português que recebeu um Nobel por causa da invenção daquela coisa tão prática chamada lobotomia.

Voz-off – vira à esquerda nos sinais, e já à frente vais encontrar o sétimo passo e a casa do nosso presidente da república, o Palácio de Belém. À porta devem estar dois senhores muito quietos, diz-lhes adeus pois são os guardas de serviço que estão aí 24 horas por dia 365 dias por ano.

Voz-off – prepara-te para encostar á direita e quando vires uma placa a dizer pastéis de Belém páraaaaa!!! São o oitavo passo e a oitava maravilha do Mundo! Tens que provar um, pois se o não fizeres é como ires a Pamplona e não fugires à frente dos touros.

Voz-off – a barriguinha está melhor? Vamos lá em frente, mas sempre em frente, pois apesar do monumento à direita ser o histórico Mosteiro dos Jerónimos onde estão o túmulo do célebre Luís de Camões e do descobridor navegante Vasco da Gama e o atropelar de turistas poder parecer divertido é proibido circular na estrada em frente. É o teu nono passo. No Mosteiro dos Jerónimos funciona também o museu de arqueologia onde podes ver múmias a sério e ainda o museu do mar, onde encontras artefactos sem igual. Prepara-te para virar á esquerda no edifício giro que te aparece depois do jardim. Ainda antes te digo que podes ir ao céu aqui, pois à tua direita tens o planetário!

Voz-off – à tua direita tens agora a obra-prima do Centro Cultural de Belém, o teu décimo passo e onde a colecção do Joe Berardo pode ser visitada e a música e os espectáculos culturais são uma constante. La Palice não diria melhor! Vira à esquerda e novamente à esquerda e agora à direita. Para te orientares melhor, direito aos pastéis de nata novamente! Se tiveres tempo, pára para mais uma dose. Se não, segue em frente e vira à tua terceira à direita para os semáforos. Aqui vira à esquerda.

Voz-off – nada de acelerar, pois já de frente está a Ponte 25 de Abril que te leva para as belas praias da costa da caparica, e é o teu 11º passo. Diz o mito urbano que nas suas fundações ficaram uns poucos portugueses que suportam hoje a passagem de tantos outros.

Voz-off – à tua direita está o 12º passo, não estás a ver, olha bem mas cuidado com a estrada, é isso mesmo a linha do comboio que te leva até à 'terra dos ricos', nem mais, Cascais!
Voz-off – estamos quase no fim, mas nada melhor que mais um lugar para ires com o meu irmão de quatro rodas. À tua direita está o 13º passo, as Docas - onde a malta gira pára à noite para curtir a night! À semelhança da 24 de Julho, a diversão aqui é também garantida!

Voz-off – estás a conhecer olhá à Praça da Ribeira, olhá o cais do sodré, encosta-te à fila da esquerda que tens depois que entrar á esquerda no terreiro do paço para me levares a casa. Cheira-te a alguma coisa, cheira bem, cheira a Lisboa! É verdade... à tua direita está o Cais das Colunas, miradouro que te deixa ver o Tejo, Almada e Cacilhas e é o teu 14º passo.

Voz-off – toca a andar e prepara-te para uma entrada à Indiana Jones, pois o teu 15º passo é no fim da rua da prata, esta bela rua cheia de lojas de ouro e prata, tens que virar logo à direita nos semáforos, galgar o passeio e entrar na primeira rua à direita, a tua e a minha rua, a rua das estrelas, a rua dos douradores!

(começa a tocar um grande, grande amor de José cid - http://www.youtube.com/watch?v=Qed6htfatKQ) e na chegada o voz-off diz: muito obrigado! Adiu, Adieu, Auf wieder sehen, goodbye!

Para os momentos de pausa entre os passos:
(zonas movimentadas) voz-off – Olá Jeitosa, dás-me o teu número de telefone? / sou muita gira não sou? / (a cantar) quando quero ver aquele amor meu, pego na Go Car e lá vou eu! (loop 2X)
(em qualquer lado de pouco movimento) voz-off – aiiiiiii, tenho um pneu no chão!
(na 24 de Julho no retorno) voz-off – o que é que é amarelo por fora e leva pessoas dentro em Lisboa? (pausa) os eléctricos tradicionais de Lisboa!
(na 24 de Julho) – olhó buraco!!!!! Olha à tampa de esgoto!!!! Ui, estava a ver que falhavas.

Manter a classe num carro anão / e / Wacky


And the winners are: Luísa Oliveira e Andreia Moreira (já publicadados) e ainda Joana Mil-Homens e Vanessa Luz - estas num registo mais próximo da crónica.



Se vem fazer um passeio de Go Car, esqueça a capa da próxima Hola!. Reze para que o Famashow não ande nas redondezas. Ligue à cabeleireira a marcar uma máscara intensa. Assim que chega enfiam-lhe um capacete. E bem que pode dizer que a mise é de hoje. A figura de motoqueiro da aldeia é garantida.
Escolha um condutor de confiança. Que fique bem nas fotos, mas não demasiado bem (não vai querer ser o mono ao lado do figurão). A máquina fotográfica é importante. Esqueça a máquina de filmar. A meio do percurso vai perder a postura blasé e vai gritar tanto como os outros. E ninguém quer ter provas do dia em que passeou por Lisboa a guinchar como um macaco com o cio só porque foi ultrapassado por um carro “normal”.
Considere os outros condutores, os que têm nas mãos um carro que não um Go Car, como adolescentes com as hormonas em ebulição e você a gaja boa dos anúncios do Lux. Lembre-se das regras do Liceu: só apalpam o rabo ao último da fila. Não lhes dê confiança, esteja atento. Se a sua atenção não for suficiente e alguém lhe bater por trás, relaxe. Saia do carro com um sorriso calmo. Histeria não resolve nada e cria rugas. Deixe o “motorista” resolver as coisas e faça de conta que é um mero turista. Tire fotos, troque bitaites com os transeuntes. Se a polícia aparecer e perguntar pelos coletes, chame à superfície da pele todo e qualquer grama de progesterona, sorria, e explique que não sabe abrir o pequeno porta-bagagens. Já que está de marfim arreganhado, e caso valha a pena, sorria também para o condutor, vai tranquilizá-lo, uma vez que a esta altura ainda não percebeu bem se atropelou ou não uma criança de triciclo e já promete a Deus nunca mais tocar em substâncias ilícitas.
Depois de se juntar ao grupo, não se contenha: você foi o único a ter um acidente. O Universo ofereceu-lhe as luzes da ribalta, brilhe. Depois da adrenalina do acidente, vai sentir uma sensação dúbia: por lado apetecia-lhe ter sete mil olhos para controlar todo e qualquer veículo que circule em Lisboa a esta hora, por outro as regras da probabilidade explicam que já pouco lhe pode acontecer. Relaxe e desfrute, como uma lady.
Em caso de dúvida acene. Se vir que gritam, tiram fotos, ultrapassam (grande coisa, ultrapassar um veículo que, em esforço, chega aos 60 km/hora), acene. Não diga adeus, por favor, que isso é coisa de ex-concorrente do Big Brother em noite de autógrafos numa discoteca do interior centro. Acene com classe. Inspire-se na Rainha – Mãe, veja fotomontagens da Lady Di. Devagarinho, para as banhas do antebraço não cegarem o condutor.
Vai receber vénias e aplausos. Vai ser o alvo dos flashes. Você não se vai esquecer deste passeio. Lisboa também não se vai esquecer de si.

Joana Mil-homens




WACKY



Aquela manhã de sábado começou cedo, à porta do Hotel Amazónia, ponto de encontro com a Andreia e de partida para o nosso passeio matinal. De mãos escondidas nos bolsos descemos a Avenida da Liberdade a amiudar conversa até ao quartel-general da GoCar, na Baixa.
Já o sol estava solarengo, embora não parecesse, quando assinámos o contrato com a GoCar. Um momento próximo do matrimonial, firmado romanticamente e completado com a aposição do respectivo capacete. Seguiu-se o ambiente galhofeiro com a partida dos primeiros carros, algo parecido com as míticas ‘corridas mais loucas do mundo’.
Partimos comigo ao volante e Andreia à pendura, uma experiência que à primeira inalação de escape se tornou nostálgica, pois lembrei-me da minha velha acelera. Perdida nessa memória adolescente adverti Andreia para que tivesse cuidado com as gargalhadas em andamento, não fosse engolir alguns mosquitos. Mas ela não fez caso.
A primeira paragem foi no Mercado da Ribeira, segundo sugestão do GoCar das companheiras que seguiam à frente, Luísa e Antónia, já que o nosso estava teimoso e só falou mais tarde. Após duas voltas ao quarteirão e ao IADE, lá estacionámos. Foi aí que descobri a primeira simpatia do carro, diria, self-transportation. Pegando-lhe, o GoCar permite ser ajeitado milimetricamente ao estacionamento, uma facilidade futurista.
Mas estávamos ali com o propósito da primeira troca de impressões enquanto esperávamos pelo resto da malta. Quem chegou primeiro deliciou-se com um café no Mercado, coisa que eu cobicei. Quando ia tratar do assunto reparo que, mesmo ao nosso lado e contemplando o rio, seguia placidamente o resto da malta. Aquela que estávamos à espera. Voltei a recordar-me das ‘waky races’, daquele cãozinho a rir.
Adiante.
Lá nos fizemos de novo à estrada. Desse caminho destaco três momentos altos: o primeiro foi termos ficado parados numa fila; o segundo tem a ver com umas bocas do GPS por eu ter pisado as tampas de esgoto e o terceiro momento e, talvez o mais extenso, um par de olhos infantis colados ao vidro do carro que nos seguiu durante grande parte da 24 de Julho.
A paragem seguinte foi em frente aos ‘Pasteis de Belém’. O Pedro Alves e o Paulo estacionaram mesmo ao nosso lado, aproveitaram um espacinho junto a uma espécie de mini-betoneira. Depois atestámos de ‘pastéis de nata’ e fizemos a troca de casais. A Andreia assumiu estoicamente o comando pois foi caminho aberto para a corrida dos carros.
E fez-se o regresso. Pelo caminho inverso, e com o sol a dar. Há nossa frente Camolas e Joana Mil-homens, ela acenava às pessoas com a mão em conchinha. Eu tentava uma pose turista e punha o braço de fora, e a Andreia ao volante, contente que nem uma perdida mas a achar-me estranha.



NOTA: Dei voltas e voltas com este texto dos GoCar, intimidada com o desafio criativo. Tentei uns rabiscos e arrisquei umas coisas (bestialmente giras). Também uns delírios poéticos. Até trouxe o meu “primo” Carlos para a narrativa.
Casei-o com Rosa Maria, fi-lo vir à cidade essa manhã de Sábado, mandei Rosa Maria ao Grandela e fiz a vontade ao meu primo, uma hora de soltura, livre do carrego dos sacos a reboque de Rosa Maria. Achava eu, por gostar tanto de Carlos, que o pobre merecia um sábado melhor. Enfiei-lhe o capacete, fi-lo assinar o contrato e empurrei-o para dentro de um GoCar. Ora Carlos não conhece Lisboa como devia. Logo Carlos, o ‘Special One’ dos primos, por isso merecedor da viagem com o grupo criativo, já que sobrava um lugar, o meu, infelizmente ausente e com uma boa desculpa.
Bom, por mais tentador e benevolente que fosse a minha ideia, não era justo para Carlos que não gosta de motas nem de mulheres. Mesmo assim ainda havia espaço na história para um profético desgosto de amor, justamente afogado em ginginhas se Carlos seguisse as reconfortantes orientações do GoCar e, nesse caso, a ‘Rota da Madragoa’.

Vanessa Luz
PS (lfb): era de esperar uma quarta senhora na imagem a enfeitar este post. Não sei que se passou. Avisem-me por favor quando abrir o Workshop de Blogolândia para Néscios.

stand-down comedy ou o GPS hilário

grande trabalho do Pedro Alves, que só não ganhou o desafio Go Car porque violou o limite de caracteres com requintes:
Douradores Fernando pessoa
- Agora vamos voltar para a sede da GoCar, na Rua dos Douradores. Sabia que Fernando Pessoa trabalhou nessa rua? Os carros da GoCar são também fonte de conhecimento pois já se sabe que, também para o poeta português, as máquinas são perfeitas.
Marcha-atrás
- Enganou-se na rota. Vá por aí, vá. Já reparou que o GoCar não tem marcha-atrás? Antes que chegue a Polícia e o faça andar às voltas e voltas por Lisboa, é bom que se levante e carregue o carro até à via indicada. Porque com a GoCar, você também faz parte do veículo.
Despedida
- Foi um prazer partilhar este tempo consigo. Espero que um dia volte e que traga muitos amigos consigo, pois GoCar é sinónimo de diversão para toda a gente. (E no fim, quando estamos mesmo na Rua dos Douradores o GPS grita: VOCÊ É UM PERIGO AO VOLANTE).
Buracos
- Ora cá vai mais um. Eu sei que parece engraçado a forma como o carro voa em cada buraco pelo qual você passa. Mas este é o meu sustento e agradeço que não o destrua. Em todo o caso, terei sempre prazer em fazer-lhe ver o meu ponto de uma forma mais drástica. Posso sempre começar a dar-lhe indicações erradas e levá-lo até um sítio em que eu sei que se pratica o GoCar-Jacking. Tenho a certeza que qualquer praticante desta modalidade tratará o carro com muito carinho para depois poder vendê-los às pecinhas ao Ikea.
Residência oficial
- Buzine. Buzine mais. Se o Presidente vier ver o que se passa, dê-lhe um panfleto e faça-o aderir ao GoCar como viatura oficial da Presidência. Aproveite e imagine logo um slogan. Dou-lhe uma ajuda: Cavaco ao volante – mais perto do que é importante.

Trocar de frequência
- Eu tento dar-lhe todas as indicações possíveis para fazer com que chegue ao destino pretendido. Mas se já souber o caminho e estiver farto de me ouvir, pode sempre mudar de frequência para uma rádio nacional. Mas pense bem antes de o fazer. Já imaginou o que seria parar nos semáforos e ser ainda mais notado por estar a ouvir, no volume máximo, “YMCA” ou “I´m a Barbie Girl” dos Aqua?

Pastéis de Belém
- E aqui, pode deliciar-se com os fabulosos pastéis de Belém. E lembre-se, se lhe caírem mal no estômago não há problema. A GoCar pensou nesta situação e também por isso o veículo é descapotável. Se esperar até chegar ao Mercado da Ribeira ninguém vai notar o odor. Ponha-se confortável, e com esse capacete colocado, nem o vão reconhecer.
Quando estiver quase a passar da primeira hora ou da hora a que estava previsto o cliente voltar
- É só para o lembrar que a sua hora está a chegar...

Capacetes / figura ridícula
- Imagine o seguinte cenário: está a conduzir de uma forma descontraída o seu GoCar e é ultrapassado por um veículo Aixam. Aqui vai a sugestão: você está dentro de um carro ofuscantemente amarelo, que se conduz como uma mota, tem um capacete ridículo na cabeça e ainda pagou por isso. Não acha que já basta de decisões bizarras por hoje? Não se ponha a fazer corridas com um carro que nem precisa de carta de condução para ser conduzido.
Buzinão
- Isso. Buzine. Buzine ainda mais. Se ficar sem bateria para a viagem de regresso quero ver a cara de gozo dos que passarem por um sujeito de capacete amarelo a empurrar o GoCar para fora da estrada.
Noddy carro amarelo
- Ora muito bom dia. A minha pergunta é apenas e só esta: o que é que faz um cidadão/a tão respeitável como o/a senhor/a ao volante deste popó pequeno e amarelo? Será que tem dupla personalidade e pensa que é o Noddy?
Deixe conduzir o seu par
- Mas o que é isto? Nunca mais larga o volante? O seu co-piloto deve estar a adorar levar com o cheiro do escape enquanto o/a senhor/a se diverte a fazer pontaria aos buracos.
Referências ao tempo
- Pois é, cá estamos. Está fresq… E nem sequer está fresquinho para podermos começar a conversa de encher chouriços. Quer dizer, não está fresquinho para mim, acredito que a si, com a quantidade de vento que está hoje, as únicas partes do corpo que não tremem são as unhas. Mas não desespere. Lembre-se sempre que pagou para poder ter esta viagem.
ou
- Sol, calor, céu azul, está um tempo que apela mesmo ao divertimento. Este é um daqueles dias em que só nos apetece sair à rua e aproveitar ao máximo a temperatura que se faz sentir. Um daqueles dias de Verão que queremos que sejam recordados pela farra a que nós próprios nos propusemos. Com um tempo assim, este é, sem dúvida, um dia que apela a que seja mais tarde recordado pela diversão que tivemos. É só saber usar a imaginação. Por isso, cá vai a minha pergunta: com um tempo destes e com tantos destinos fantásticos por aí, o que raio está você a fazer, com um capacete enfiado na cabeça, a conduzir um mini carro por Lisboa?
Referências ao período do dia
- Aqui vamos, neste passeio à hora de almoço, espero que não tenha deixado de comer para não enjoar neste veículo. É que com a velocidade a que o GoCar se permite deslocar, só enjoa um duende e mesmo assim só se tiver comido o Pai Natal por inteiro.

introdução para a menina do GPS


menção honrosa do júri para este doce da Antónia Marinho (muitíssimo adequado à encomenda Go Car):


Para abertura de tejadilho panorâmico, em caso de chuva, prima 1;
Para ajustar os assentos de forma a proporcionar-lhe o maior conforto possível, prima 2;
Para fecho automático de portas, prima 3;
Para activar o airbag do passageiro, prima 4;
Para activar caixa de velocidades manual, prima 5;

Se este veículo não estiver equipado com as devidas teclas numéricas, não se preocupe. A viagem vai ser mesmo assim. Não pense que sou frágil e pequenote: sou baixinho para sentir o relevo com a maior exactidão possível e simples para lhe dar todo o protagonismo numa viagem garantidamente memorável!
Em caso de precisar de ajuda, contamos que a sua carta de condução seja o suficiente para se desenrascar. Em todo o caso, GRITE. Terá toda a gente a olhar para si e pode ser que algum lhe preste apoio. Acima de tudo, procure evitar entrar nas ruas em sentido contrário. A emoção é muita e garantida, mas a polícia não é da mesma opinião. No caso de se perder, é simples: o rio fica do lado esquerdo quando vai e fica do lado direito quando vem. Quando o trânsito estiver muito apertado e se sentir quase esmagado pelos meus parentes crescidos, SORRIA. Ninguém resistirá à simpatia de carro amarelo com mais estilo de Portugal. Experimente! Acene sempre que possível. Os lisboetas estão ao corrente que só passageiros de alto gabarito optam por este tipo de transporte e, como tal, associá-lo-ão à realeza. Por isso, serão inevitáveis aqueles irritantes paparazzi de rua que, a qualquer instante, o surpreenderão com as suas máquinas fotográficas. Vida de estrela….Difícil!
Agora, vamos lá passear! Iupiiiii!

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Tema 1: Mozart
Homem sentado na poltrona de toda a vida. Na mão segura um cachimbo, apagado como a vida que subitamente deixou de lhe correr nas veias. Está de roupão, clássico, e chinelos, de cabedal. O ar é turvo, pelos infindáveis cigarros, cigarrilhas, charutos e cachimbos que sorvia de forma sôfrega enquanto escrevia crónicas toscas para o pasquim da cidade. Não tinha nome, apenas cheiro, intenso e pútrido. Não tinha ninguém. Apenas um velho gato, cheio de feridas, lhe lambia os pés, cheios de feridas. Apenas ele ainda não tinha percebido que agora ficava só e que em breve iria partilhar do destino fatal do seu dono. A música, a última que ouviu, foi banda sonora de vida.

Tema 2: The Strokes – you only live once
Marginal, 1996. O vento sopra quente, aconchegando os corpos que já exibem o tom invejável daquele verão. Há um grupo de amigos, de cabelos longos e oxigenados por carradas de “waxe” e champô de camomila, que avançam descomprometidos, de prancha match 7 debaixo do braço, em direcção à praia, em busca de mais um dia em cheio.
Tema 3: Morrissey – the first of the gang to die
Bairro alto, anos 80. Morrisey dá concerto exclusivo para membros da ordem dos decoradores de interiores, no Frágil. O concerto fora organizado por Nilton, membro honorário e fundador da ordem, cujos associados partilhavam de um fantástico gosto para camisas coloridas, jarras com design, música com ritmo e Homens.
João Camolas

obrigada

Nota prévia (pela derradeira vez): Ao contrário do que me é habitual, nos restantes 364 dias, HOJE não me apetecia escrever. O que aqui fica registado é mais um texto intimista (ou em palavras menos poéticas, mais um texto altamente egocêntrico por Andreia Moreira).

Exactamente. Obrigadinha por darem banda sonora aos meus pensamentos. Ao desespero que sinto (Mozart? Foram meiguinhos) porque acabou. Porra. Acabou. Era a alegria da semana (profissionalmente falando), a manhã de sábado. E eu sei do vazio que amanhã vou sentir e sei também da neura que vai trepar por mim (sem qualquer conotação de cariz sexual) invadindo-me e à qual ninguém que me é próximo conseguirá escapar (ah ah ah ah ah – riso maléfico da neura). Um aperto no peito com banda sonora. Obrigada por esta última partida, queridos formadores (estando a escrever num computador, far-vos-ia daqueles bonequinhos em que se usa : e um p).
Eis que na música um quase silêncio. O silêncio. (O ALA ou 'os contemporâneos' ou ambos, já nem sei bem). Sei que hei-de preencher este (quase) silêncio com mais palavras, com mais escrita. Sei que é o “destino” (para quem acredita e eu sou dessas) ao qual não posso nem quero escapar. Estou ansiosa pela próxima manhã de sábado em que acordarei cedo de novo, para rever todas estas manhãs de sábado e perceber tudo o que aprendi e tudo o que me falta aprender e terei agora de perseguir “sozinha” (sem vocês NCS, LFB e colegas) do lado de fora a instigar-me (quase a empurrar-me) a fazer mais e melhor. Espera, nos próximos dois sábados estarei em Cuba. Mas vá, nos seguintes reinicio esta caminhada.
Olha, no preciso momento em que sinto que já desabafei, a música a animar e de novo uma leveza no peito. Acabo assim esta escrita, FELIZ como comecei no dia 20 (09/08). Posso ter escrito apenas lugares-comuns mas é nestes que vivo intensamente tudo o que me acontece e vou escrevendo a minha história (YOU ONLY LIVE ONCE).

OBRIGADA Nuno, Luís e a todos os outros nomes* (IGUALMENTE importantes).
Hoje pintei os olhos para me dissuadir de chorar.
Adenda: não resultou.

escrita sob pressão musical

1.
Drama. Tragédia. Tristeza. Negro. Sinto-me a mergulhar no fundo do mar. Só água à minha volta e nuvens escuras sobre a minha cabeça. Silêncio profundamente pesado. O medo da morte.

2.
Estou cheia de energia, apetece-me dançar. O ritmo está a entrar pelo meu corpo a toda a velocidade. O meu corpo alimenta-se de música e move-se ao ritmo da melodia. Sinto-me intensamente forte. Segura de mim. Do que quero da vida. Viver freneticamente o dia de hoje sem pensar no amanhã. Arriscar, sem medo.

3.
Amor. Haverá algo melhor do que estar apaixonado? Ser insensato. Pôr o bom senso na gaveta e fechá-la à chave. Andar perdido, sem rumo. À espera de um olhar da pessoa que desejamos, à espera de um sinal que confirme que estamos em sintonia, a querer o mesmo. Paixão. A inflamar a alma de vida. Desejo. Medo de não ser correspondido. Medo do desconhecido em que nos transformamos, porque de repente também não conhecemos os nossos limites.

Mónica Cunha